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Cotidiano Social e Educacional

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  • RSS Feeds : Sala de Aula (Leia as últimas notícias) : Sala de Aula (Leia as últimas notícias)

  • Novas confusões com o Enem - 21-08-2011

    A sucessão de trapalhadas com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) continua sendo a demonstração mais exemplar da inépcia administrativa que tomou conta do Ministério da Educação (MEC), na gestão do ministro Fernando Haddad.

    Em 2009, o vazamento das questões obrigou o órgão a adiar a prova, o que acarretou prejuízo para os cofres públicos e prejudicou o cronograma de muitas instituições universitárias, uma vez que os resultados do Enem contam pontos para os vestibulares. Na edição de 2010, houve problemas com a licitação para a escolha da gráfica, 21 mil cadernos de perguntas e o cabeçalho da folha de respostas foram impressos com erros, o sistema de informática do MEC não foi planejado para atender o número de candidatos inscritos e a Justiça chegou a conceder liminares cancelando o exame, o que obrigou o governo a recorrer às pressas ao Tribunal Regional Federal, para não adiá-lo.

    Este ano, procurando evitar problemas judiciais com a licitação dos órgãos encarregados de preparar e aplicar o Enem, o MEC propôs a transformação do Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe), vinculado à Universidade de Brasília, em empresa pública e decidiu contratá-lo, sem licitação, para aplicar o próximo teste. O Cespe foi criado para preparar os vestibulares da UnB e, com o tempo, passou a implementar projetos de avaliação educacional e a promover concursos para carreiras da administração pública.

    Para as autoridades educacionais, a transformação do Cespe no Centro Brasileiro de Seleção e de Promoção de Eventos - uma espécie de "Concursobrás"- evitaria a realização de licitações e a escolha de empresas sem experiência em matéria de avaliação de ensino. Para firmar o acordo com o MEC, a UnB pediu que o Cespe continuasse gozando de imunidade tributária, mesmo sendo convertido em empresa estatal. O pedido foi aceito, o acordo foi firmado, as providências jurídicas e legislativas foram tomadas e, como estava planejado, o Cespe - em consórcio com a Cesgranrio - foi contratado sem licitação para preparar o Enem de 2011, a um custo de R$ 372,5 milhões.

    Esse valor é três vezes superior ao que foi gasto pelo MEC no último Enem, que custou R$ 128,5 milhões. A diferença é tão grande que o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a suspensão do pagamento, até que o órgão se manifeste sobre a "adequação dos valores". O MEC alegou que a elevação dos gastos com o Enem se deve ao fato de que o teste passará a ser realizado duas vezes por ano. Mesmo assim, o relator, ministro José Jorge, considerou o aumento injustificável. Ele também criticou as manobras jurídicas do MEC para justificar a contratação do Cespe sem licitação e lembrou que a controladoria do TCU já havia advertido as autoridades educacionais para que não voltassem a recorrer a "subterfúgios legais" para autorizar a dispensa de licitação. Em resposta, Haddad afirmou que os gastos do Enem equivalem "à metade do custo de qualquer vestibular", que só o consórcio Cespe/Cesgranrio está apto a preparar o exame e que espera de Jorge uma "abertura ao diálogo".

    Na realidade, o problema não é de falta de diálogo entre os dois ministros, mas da pretensão do MEC de agir ao arrepio da lei e de tentar, por vias indiretas, abrir caminho para a estatização do setor de preparação de concursos. Afinal, gozando das vantagens das empresas estatais, com o privilégio de preferência na venda de serviços ao MEC, e dos benefícios tributários de uma fundação educacional, a "Concursobrás" pode açambarcar o mercado, pondo fim à concorrência entre as fundações surgidas nos meios universitários e que atuam na mesma área do Cespe.

    Quando os planos para o próximo Enem foram anunciados, há alguns meses, especialistas alegaram que o MEC estaria mais uma vez cometendo trapalhadas administrativas, acabando com o que ainda resta de credibilidade dos mecanismos de avaliação. A suspensão do pagamento do contrato do Cespe, determinada pelo TCU, mostra a procedência das críticas.

    - O Estado de S.Paulo


  • Lei obriga escolas a ensinarem música; veja o que muda na prática - 21-08-2011

     

    Alexandre Rezende/Folhapress
    Lucas Presser, 8, não gostava das aulas no início e hoje não perde uma
    Lucas Presser, 8, não gostava das aulas no início e hoje não perde uma

    Que tal colocar ritmo nos estudos? A lei número 11.769, de 2008, obriga toda escola do Brasil a ter aulas de música ou incluir esse conteúdo nas aulas de artes dos ensinos infantil e fundamental. O prazo para isso acontecer acaba neste mês. E o objetivo não é aprender a tocar um instrumento ou a cantar, mas desenvolver a musicalização (ritmo, coordenação motora, audição, entre outros).

    Alguns colégios particulares, como o Rainha da Paz (São Paulo), já tinham aulas de música antes de a lei existir. Lá, elas acontecem duas vezes por semana. Instrumentos como xilofone e pandeiro são usados para acompanhar cantigas populares. Outras vezes, são deixados de lado. "Podemos usar só a voz e o corpo para fazer música", diz Maria Eduarda Grassano, 7.

    Várias atividades musicais estão ligadas a outras disciplinas, como geografia e história. Luiz Gustavo Filho, 7, aprendeu sobre os indígenas, pois "as músicas falam sobre como eles vivem".

    POR QUE APRENDER

    José Nunes (professor da Unirio) dá aula para futuros professores de música e já deu aula para crianças em uma escola. Ele explica que aprender música tem que ser divertido. Mas o mais importante da atividade musical é aprender a entender o valor e a beleza da arte desde pequeno.

    CADA UM NO SEU TOM

    Gabo Morales/Folhapress
    O estudante Helio Zimbardi, 12, dá uma de maestro
    O estudante Helio Zimbardi, 12, dá uma de maestro

    Nas aulas de música, você pode cantar, tocar ou inventar suas próprias canções. Helio Zimbardi, 12, não se animou com nada disso. Até que teve uma ideia. "Propus para a professora ser o maestro da turma e improvisei uma batuta", conta. Gostou tanto que até pensa em se tornar um profissional. "É muito legal ficar na frente comandando o ritmo. Só paro para ouvir os aplausos", completa.

    MÉTODOS

    Existem modos diferentes de aprender música. Com o Suzuki, do Japão, as crianças aprendem ouvindo e repetindo. A ideia é aprender de forma natural, como se aprende a falar, por exemplo. No México, o método Tort usa a cultura popular para ensinar, por meio de coros e conjuntos. No Brasil, o músico Heitor Villa-Lobos usou canto orfeônico, uma prática de canto em conjunto, para orientar o ensino de música.

    NÃO É IGUAL EM TODA ESCOLA

    As escolas municipais de São Paulo estão se preparando para incluir aulas de música só no ano que vem, disse a assessoria de imprensa. Já na escola estadual Rodrigues Alves, por exemplo, a música é pincelada em projetos paralelos. A Secretaria Estadual de Educação contou que, em um deles, os alunos cantam composições da MPB. Mas as crianças não parecem satisfeitas. "Não temos aula de música no colégio, mas eu gostaria de ter", conta a aluna Vitória da Silva Alves, 9.

     ANNA CAROLINA CARDOSO/GABRIELLA MANCINI - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


  • SP amplia Centros de Estudos de Língua para atender 2% dos alunos - 20-08-2011

    Governo diz que unidades terão 100 mil alunos e a rede estadual tem 4,5 milhões de estudantes

    iG São Paulo

    O governo de São Paulo anunciou nesta sexta-feira o investimento de R$ 13 milhões para ampliar os Centros de Estudos de Língua da rede. Com o dinheiro, serão criadas mais 142 unidades, ampliando o número de centros dos atuais 106 para 248 em todo o Estado. Dessa forma, o programa aumentará de 60 mil para 100 mil o total de alunos beneficiados, que terão a oportunidade de aprender gratuitamente um novo idioma, ou seja, 2% do total de 4,5 milhões de alunos.

    Até o último semestre, além dos centros, 80 mil estudavam em escolas particulares com bolsas por conta de convênios que a Secretaria Estadual de Educação mantinha com instituições como Cultura Inglesa, CCAA e Wizard. O convênio foi interrompido por conta da expansão dos programa. Como a ampliação é de 40 mil vagas, ainda há um prejuízo em relação ao atendimento anterior.

    Poderão se inscrever alunos matriculados a partir do 7º ano. O início das aulas nos novos CELs deve ocorrer ao longo deste semestre. A lista de unidades está no site da Secretaria Estadual de Educação www.educacao.sp.gov.br. “É importante que os alunos da rede estadual tenham uma perspectiva do mundo e do conhecimento que extrapole não somente o âmbito de sua comunidade, mas também de seu próprio País. Essa abertura de horizontes é um dos principais fatores para a valorização de nossos jovens no mundo da cultura e do trabalho”, disse o secretário de Estado da Educação, professor Herman Voorwald.

    Para matricular-se, o interessado deve procurar uma escola que mantenha um CEL, munido de atestado de matrícula, e optar pelo idioma que deseja cursar.

    O anúncio da expansão do programa foi feito na Escola Estadual Alexandre de Gusmão, no bairro do Ipiranga, onde se encontra um dos 20 CELs em atividade na capital. Atualmente, a rede também dispõe de outros 18 nos demais municípios da Região Metropolitana e 68 no interior, todos em cidades com população superior a 50 mil habitantes. Para manutenção dessas unidades, o Governo do Estado investe R$ 19,5 milhões, uma média de R$ 327 por aluno. Somando os novos centros, serão 28 unidades na capital, 33 na Região Metropolitana e 187 no interior e litoral, que totalizarão um investimento de R$ 33 milhões no programa.

    Resultadose números

    As taxas de desempenho dos estudantes nos cursos são consideradas muito positivas pelos especialistas. No ano passado, o índice de aprovação foi de 81,6%.

    André do Vale Oliveira, 18 anos, por exemplo, se formou nos cursos de espanhol e alemão no CEL da Escola Estadual Estevam Ferri, em São José dos Campos. No fim do curso de alemão, o estudante se classificou no exame de proficiência internacional, denominado FIT, promovido pelo Instituto Goethe, em São Paulo, no final de 2010, e ganhou uma bolsa de estudos na Alemanha.

    O aluno acaba de voltar do País, onde fez um curso intensivo do idioma, além de passeios e viagens durante um período de 20 dias. André considera um importante diferencial falar os dois idiomas, principalmente alemão, e acredita que os cursos abriram e abrirão muitas portas.

    Atualmente, o idioma espanhol é o mais procurado pelos estudantes, contando em 2011 com 42.662 alunos; por ordem de preferência, vem em seguida o inglês, com 8.137 alunos, o francês, com 4.358 alunos, o italiano, com 2.162 alunos, o alemão, com 1.578 alunos, e o japonês, com 835.

    Com exceção do curso de inglês, que tem duração de um ano, divido em dois semestres de 120 horas de aula cada um, os demais cursos têm duração de três anos, em módulos de seis semestres, com duração total de 480 horas. São ministradas quatro aulas semanais de 50 minutos de duração, em diferentes horários para facilitar o comparecimento dos alunos que trabalham.


  • Em São Paulo, escolas optam por valorizar história em aulas de religião - 20-08-2011

    Quinta-feira, às 16h40, é hora da aula de ensino religioso em uma das quatro turmas do 9º ano da Escola Estadual Doutor Alberto Cardoso de Mello Neto, na região norte da capital paulista. A escola é uma das poucas do estado que oferecem a disciplina aos seus alunos do último ano do ensino fundamental.

    A professora Miriam de Oliveira é a responsável pela aula. Historiadora e psicóloga, ela trabalha no colégio há oito anos. Há três, dá aulas do que prefere chamar de “história das religiões”. Na primeira quinta-feira do mês de agosto (4), Miriam falou para cerca de 30 alunos sobre o cristianismo.

    “Por volta do ano 300, o Império Romano adotou o cristianismo como sua religião oficial”, explicou aos alunos. “A partir daí, a religião se espalhou por outros cantos do mundo e acabou chegando ao Brasil, com os jesuítas. Hoje, quase todo mundo é cristão aqui no nosso país.”

    O foco na história foi a solução encontrada por São Paulo para que as lições de ensino religioso constassem dos currículos da rede pública sem privilegiar qualquer crença, conforme determina a Constituição Federal. Apesar de só os alunos do 9o ano terem aulas específicas sobre religião – isso quando há demanda dos pais –, todas as escolas estaduais trabalham o conteúdo de forma transversal, em outras disciplinas. De acordo com a Secretaria Estadual de Educação, prevalece o aspecto histórico.

    Uma lei estadual e uma resolução do Conselho Estadual de Educação de 2001 normatizaram o ensino religioso no estado. Elas garantiram o espaço para a disciplina nas escolas estaduais, mas também estabeleceram exigências na formação dos professores responsáveis pelas aulas e prioridade para a correlação do ensino sobre religião com a educação regular.

    “Foi bom [criar regras]”, disse a presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Noronha, que defendeu a adoção do modelo em reuniões com representantes do governo. “Sou favorável ao fortalecimento da formação humana, com conteúdo sobre história da religião, para que o aluno compreenda as diferenças entre as crenças”, justifica.

    Essa fórmula, porém, não é unanimidade entre os educadores. Na opinião da coordenadora do programa de pós-graduação da Universidade Metodista e professora da Universidade de São Paulo (USP), Roseli Fischmann, o ensino religioso transversal delega responsabilidade demais aos docentes e expõe os alunos da rede pública a possíveis transgressões à Constituição.

    “A Constituição diz que o Estado não pode defender nem discriminar crença nenhuma. Contudo, o professor, que representa o Estado na escola, é um ser humano”, pondera Roseli. “O ser humano tende, naturalmente, a defender sua crença.”

    Para ela, o ensino religioso é um “risco que poderia ser evitado”. A professora acredita que os conceitos sobre diversidade e respeito, que são abordados nas aulas, poderiam ser repassados aos alunos em outras disciplinas que não a específica de religião.

    Cecília Regina Bigatão, diretora da Escola Doutor Alberto Cardoso, discorda. Há mais de 20 anos à frente da escola, ela diz que é perceptível a diferença no comportamento dos alunos que já passaram pelas aulas de ensino religioso. “O que é a amizade, amor, está mais claro para eles.”

    A diretora reconhece que é preciso ter atenção redobrada com o ensino religioso para que todas as crenças sejam respeitadas. Ela garante que esses cuidados são tomados na escola que dirige e, por isso, os resultados são muitos bons.

    “Nunca tivemos uma reclamação de um pai sobre o conteúdo das aulas”, conta. “Não impomos nada às crianças. Todas são livres para ter sua religião”. Na antessala da diretoria, há um altar. Em cima dele, fica uma Bíblia aberta.

    Vinicius Konchinski Da Agência Brasil Em São Paulo

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  • Dados do Enem 2010 por escola devem sair em 15 dias - 20-08-2011

    O ministro da Educação, Fernando Haddad, informou nesta sexta-feira, 19, que os dados do Enem de 2010 por escola serão divulgados em 15 dias. Segundo ele, essa divulgação permitirá a avaliação normal, como feita nos anos anteriores, ou acrescida dos dados de proporção por escola.

    De acordo com o ministro, que proferiu palestra na Câmara de Vereadores de São José dos Campos (SP), no Vale do Paraíba, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) passará a informar a relação, por escola, de alunos que fizeram o exame. "Será um novo dado", explicou o ministro.

    "Dessa forma, as famílias poderão avaliar o desempenho real das escolas de seus filhos, na proporção de alunos inscritos, sem se impressionar com eventual publicidade", disse.

    O ministro disse que a divulgação habitual continua a mesma. "O atraso nessa divulgação não tem a ver com este acréscimo de informação, e sim com o recalculo do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) por conta da reaplicação da Prova Brasil em 20 escolas brasileiras", afirmou Haddad.

    Fonte - Folha.com


  • Orações antes das aulas levam pais a travar ''guerra santa'' em escola de Brasília - 20-08-2011

    Uma “guerra santa” foi travada entre os pais das 180 crianças de 4 e 5 anos que estudam no Jardim de Infância da 404 Norte, na região central de Brasília. Uma oração feita pelos alunos diariamente, antes do início das aulas, é o principal motivo da discórdia. De um lado está um grupo de pais que pede a exclusão de referências religiosas das atividades escolares. Do outro, os que apoiam o ritual diário e consideram que a direção da escola está sendo perseguida.

    A discussão teve início quando uma denúncia sobre o assunto foi encaminhada à Ouvidoria da Secretaria de Educação do Distrito Federal. Todos os dias antes das aulas os alunos se reúnem no pátio da escola para o momento chamado de acolhida. Nessa hora, são estimulados a fazer uma “oração espontânea”, como define a diretora Rosimara Albuquerque. A cada dia, crianças de uma turma ficam responsáveis por fazer os agradecimentos a Deus ou ao “Papai do Céu”. “Pode agradecer pelo parquinho, pelos colegas. Mas houve um questionamento por parte dos pais para que fosse um momento de acolhida um pouco mais amplo já que algumas famílias não comungam dessa religião, que seria basicamente cristã”, conta Rosimara, que está à frente da escola há seis anos.

    Para a radialista Eliane Carvalho, integrante da Associação de Pais e Mestres do colégio, a escola está ultrapassando os limites permitidos pela legislação. Ela e outros pais que protestam contra essas atividades se apoiam no princípio constitucional da laicidade para pedir que práticas de cunho religioso fiquem de fora do ambiente escolar. Além do momento da acolhida, ela conta que notou outros sinais de violação, a partir de informações que o filho de 4 anos levava para casa.

    “Não posso dizer que existem dentro da sala de aula práticas religiosas. Mas meu filho não aprendeu em casa a orar em nome de Jesus. Um dia ele me disse que o telefone para falar com Jesus era dobrar o joelho no chão”, relata Eliane.

    Em resposta à denúncia, um grupo maior de pais organizou um abaixo-assinado a favor da escola e da oração no início das aulas. Alguns alegam que a diretora está sendo perseguida por ser católica e atuante em grupos religiosos. “A forma como eles [professores e direção] estão atuando não é nada abusiva ou direcionada a uma crença específica. Eles colocam a palavra de Deus, como entidade superior, e agradecem à família. São só coisas boas, frutos bons. Quem está incomodado é uma minoria”, defende Thiago Meirelles, que é católico e pai de um aluno.

    Para Carolina Castro, mãe de outro estudante, a intenção da escola é positiva e busca a socialização. “Não acho que eles estejam tratando de religião em si, mas passando uma noção de agradecimento do que é precioso na vida. Não acho que isso seja ensino religioso”, diz.

    Eliane Carvalho lamenta que a discussão tenha ficado polarizada. “Não é uma discussão pessoal, mas de currículo. O grupo que fez o abaixo-assinado passou a nos ver como perseguidores de cristãos, hoje somos vistos como pessoas absurdas que não querem a palavra de Deus na escola. Todos têm o direito de fazer suas orações, mas eu questiono o fato de a escola aceitar uma prática que, para mim, se configura em arrebanhar fiéis”, diz.

    O momento da acolhida é feito há 40 anos, desde que a escola foi fundada, e é comum também em outros colégios da rede. Na última semana a reza foi substituída por cantigas de roda e outras atividades. “Aí, sim, parecia uma escola, antes parecia uma igreja. Como pai que tem a obrigação de dar uma orientação religiosa à filha, não posso permitir que haja divergência. O mais triste é que, apesar de essas pessoas dizerem que estão pregando o amor e o respeito, elas não têm respeito nenhum pela minha liberdade de que não haja essa interferência [religiosa]”, diz Mafá Nogueira, pai de uma aluna.

    Para resolver o problema, a escola vai convocar reuniões com pais, professores, funcionários e representantes da Secretaria de Educação. “Vamos discutir como a gente pode abordar a pluralidade e a diversidade sem agredir ninguém e que todos possam sair satisfeitos. Mas essa polêmica é salutar porque, na medida em que a gente ouve questionamentos de pais que pensam diferente, isso é saudável para o crescimento. Podemos adotar uma postura diferente, estruturada no que a comunidade pensa”, avalia a diretora Rosimara, que usava no pescoço um cordão com um crucifixo enquanto conversava com a reportagem da Agência Brasil.

    A Secretaria de Educação do Distrito Federal informou que desconhece problemas semelhantes em outras escolas da rede e reiterou que orienta as unidades a seguir a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que veda qualquer prática proselitista no ambiente escolar.

    Amanda Cieglinski Da Agência Brasil Em Brasília

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  • Saiba quanto custa a sua educação - 14-08-2011

    Teste contabiliza gastos e investimentos feitos com ensino da pré-escola à faculdade

    Marina Morena Costa, iG São Paulo

    A pesquisa leva em conta o comportamento das classes sociais brasileiras e seus padrões de gastos com educação dos 6 meses aos 23 anos de idade. Foram considerados dados referentes às mensalidades de escolas particulares, cursos extracurriculares, alimentação escolar, transporte, material didático, livros e revistas. Uma pesquisa de mercado incluiu itens como intercâmbio, cursos de idiomas no exterior e cursinho pré-vestibular.

    “A educação é vista pelas classes mais privilegiadas com um dos melhores investimentos”, aponta Adriano Maluf Amui, diretor do Invent e responsável pelo estudo. De acordo com o professor Leite, hoje há consciência da necessidade de ter uma melhor qualificação. “Na medida em que a classe média aumenta de tamanho, famílias que antes mantinham seus filhos no ensino público estão migrando para a rede particular”, destaca. A consequência é um maior comprometimento da renda com o ensino.

    Quem estuda na rede pública, não tem gastos diretos com mensalidade escolar – e por isso eles não aparecem no infográfico. Mas o investimento fica por conta do Estado. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep) a soma dos gastos dos governos federal, estadual e municipal em 2009 dá um custo médio por aluno nos ensino médio e fundamental de R$ 2,9 mil por ano. Já no ensino superior, cada matrícula em uma instituição pública custa em média R$ 15,4 mil anuais.

    A análise da Invent foi feita em 2008, com base em pesquisas feitas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Para chegar aos números atuais, foi aplicada a inflação dos últimos dois anos – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2009 e 2010 – e usado o valor do dólar de 1º de agosto (R$ 1,56).

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  • Educação acadêmica ou profissional? - 14-08-2011

    Os pais reclamam um ensino técnico para os seus filhos. Para muitos, aí está a solução para os problemas do ensino. Mas será mesmo a única?

    Há muitas maneiras de adquirir uma profissão. As ocupações manuais qualificadas são atendidas no estilo Senai - que não examinaremos aqui. Outra possibilidade é o ensino técnico, voltado para ocupações com maior densidade de conhecimentos técnicos. Por exemplo, eletrotécnica e robótica. Essa solução é repetida no mundo inteiro, com amplo sucesso.

    Mas tudo pode dar errado. O Banco Mundial pregava a inclusão de disciplinas profissionalizantes no ensino médio. Contudo uma pesquisa ampla, encomendada pelo próprio banco, mostrou o equívoco: de tudo o que se fazia em formação profissional, essa solução mista fracassava mais que todas as outras. E parece ser a que está sendo proposta no País.

    Em escolas acadêmicas que preparam para o ensino superior, se oferecem também um programa profissionalizante, seu status é mais baixo e os professores, discriminados no ambiente acadêmico. Por essas e outras razões, os ramos profissionais da escola são desprestigiados e o programa acaba como um gueto dentro da escola. Se insistirmos nessa profissionalização aguada do médio, estaremos repetindo os erros do passado.

    As escolas técnicas bem-sucedidas têm seu centro de gravidade no mundo do trabalho e nas empresas. Seus currículos acadêmicos podem ser sérios, mas sua alma e seu foco estão na profissão ensinada, não no vestibular. Há bons exemplos brasileiros, principalmente no Senai e na Fundação Paula Souza (SP).

    Há, porém, alternativas de preparar mão de obra para profissões de menor densidade técnica. Desde sempre, as pessoas aprendem fazendo. Automação dificilmente se aprende espiando quem sabe. Mas há centenas de ocupações exigindo menos bagagem técnica ou teórica prévia. Portanto, podem ser aprendidas em cursos mais curtos ou ao longo da vida profissional, ainda que mais lentamente. Mas entra aí um fator crítico, que é a qualidade da base educacional. Se é muito fraca, estamos mal. O profissional termina capenga no lado da teoria.

    A solução pode estar mais perto do que se pensa. Trata-se de repensar a velha e maltratada "escola acadêmica".

    Nossa educação acadêmica está extraordinariamente distante do mundo real e de aplicações práticas do que é aprendido, o que quer que seja. O currículo não se transforma em habilidades que podem ser usadas pela vida afora, mas sim na memorização de fatos, datas e fórmulas que para nada servem. Isso é agravado pelo excesso de disciplinas que a escola tenta ensinar, com pífios resultados. Ainda pior, não há diversificação, pois todos dão as mesmas disciplinas, gostem ou não. Se uns querem ir para o mercado e outros para o vestibular, por que uma passarela única?

    Consertar essa escola é um caminho pouco explorado e de grande potencial. Por que as escolas precisam ser tão enfadonhas? Por que os currículos não podem ser mais curtos, mais simples e focalizando o que cada perfil de aluno precisa para crescer na vida e na profissão futura?

    Não se trata de ensinar "conhecimentos práticos" (sem teoria), como plantar uma horta ou arquivar correspondência. Já se disse: não há nada mais prático do que uma teoria. Trata-se de aprender a teoria mediante sua aplicação na prática. Por exemplo, aprender matemática lidando com os problemas de números que encontramos na nossa vida. Que tal aprender a medir, a ler gráficos e tabelas, a interpretar desenhos técnicos? Ou entender o que está no papel e redigir corretamente? É melhor do que ouvir falar da lei de Pouillet, de Kirchhoff, do teorema de Binet, de D"Alembert, ou do plano de Argand-Gauss, contidos em livros do ensino médio. Impossível aprender isso tudo no tempo disponível.

    Na realidade, trata-se de dedicar tempo a aprender algumas poucas ideias mediante aplicações, exercícios e projetos próximos da vida dos alunos e das ocupações que podem almejar. O objetivo é usar a prática para aprender a teoria. Obviamente, alguns alunos querem estudar engenharia ou medicina. Mas com a pletora de conteúdos, a maioria consegue apenas decorar as fórmulas. Isso não serve para nada, pois o que está por trás delas não foi realmente aprendido. Não que esses alunos sejam incapazes de aprender tais teorias, mas dado o tempo disponível isso não é viável.

    Todos os países sérios oferecem currículos ou escolas diferenciadas, de forma a se adequarem aos interesses e ao equipamento intelectual dos alunos que chegam. É pura hipocrisia acreditar que todos cheguem ao ensino médio equipados para lidar com níveis de abstração em assuntos que em muitos países avançados são ensinados somente nos cursos superiores. Ou que todos tenham os mesmos interesses.

    Como seria uma tal escola, forte em teoria, justamente porque insiste na sua aplicação prática? Dado o espaço aqui disponível, tomemos apenas um exemplo real mostrando a direção proposta. A Espanha desenvolveu um projeto chamado Aula Galileu (adotado no Uruguai). Para esse programa a escola dispõe de uma oficina multidisciplinar: madeira, metal, eletrônica, informática. O objetivo não é virar carpinteiro ou eletricista, mas preparar pequenos projetos individuais (ou de grupos). Depois de redigido o projeto, os alunos passam para a bancada, construindo o que planejaram. As atividades manuais fundem-se com os conteúdos do currículo acadêmico. Por exemplo, a construção de um medidor de continuidade mescla teoria de circuitos elétricos com sua construção. Ao fim, os alunos preparam um manual de uso, em inglês!

    A escola continua acadêmica, não vira profissional. Mas ilustra a direção para um verdadeiro programa acadêmico, não o pastiche que oferecemos.

    Claudio de Moura Castro - O Estado de S.Paulo


  • MEC vai pagar R$ 372 milhões pela aplicação de próximas edições do Enem - 10-08-2011

    As edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) dos próximos 12 meses vão custar cerca de R$ 372 milhões ao Ministério da Educação. O valor será repassado pelo Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais (Inep) ao consórcio responsável pela realização da prova, formado pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe-UnB) e a Fundação Cesgranrio.

    O valor é considerado um “teto estimado” e deve custear a realização de pelo menos duas edições do Enem nos próximos 12 meses: a próxima, marcada para os dias 22 e 23 de outubro e a do primeiro semestre de 2012, prevista para os dias 28 e 29 de abril. O consócio foi contratado com dispensa de licitação. Na última edição do Enem, em 2010, o Inep pagou R$128,5 milhões pela aplicação e correção das provas ao mesmo consórcio.

    O contrato prevê a prestação de serviços como aplicação do exame, contratação e treinamento de fiscais e correção das redações. O valor não inclui a impressão das provas, que será feita pela gráfica RR Donelley, a mesma que imprimiu os testes na última edição, nem a operação de logística e a distribuição, coordenada pelos Correios.

    Luana Lourenço Da Agência Brasil Em Brasília


  • Professor escolherá aula na segunda - 06-08-2011

    A Secretaria de Estado da Educação deverá abrir, na segunda-feira, o período de inscrição para a escolha de classes e de aulas para 2012.

    A informação consta de um memorando distribuído às diretorias de ensino do Estado. O prazo para a inscrição terminará no dia 30 de setembro, segundo o documento.

    Neste ano, a inscrição não será presencial, mas pela internet, por meio do sistema GDAE (Gestão Dinâmica de Administração Escolar).

    Tatiana Cavalcanti do Agora


  • Olhos abertos para a prevenção - 05-08-2011

    Com a passagem do Dia Nacional da Saúde em 5 de agosto, a Fundação Dorina Nowill para Cegos (www.fundacaodorina.org.br) divulgou informações e cuidados preventivos para a saúde visual de adultos e crianças.

    Segundo a instituição, a Organização Mundial da Saúde considera que 80% dos casos de cegueira no mundo poderiam ser evitados se houvesse mais ações de prevenção e tratamento. Isso, em um universo de cerca de 45 milhões de pessoas cegas e de mais 135 milhões de vítimas de limitações severas da visão.

    Os números relativos ao Brasil são do Censo 2000 (os de 2010 devem estar disponíveis em outubro, de acordo com a assessoria da fundação): aproximadamente 148 mil pessoas cegas e 2,5 milhões de pessoas com grande dificuldade permanente para enxergar, a chamada baixa visão.

    Na população adulta, as principais causas de cegueira são glaucoma, retinopatia diabética, atrofia do nervo ótico, retinose pigmentar e degeneração macular relacionada à idade. Entre as crianças, as causas mais sérias são glaucoma congênito, retinopatia da prematuridade e toxoplasmose ocular congênita.

    Olhar de especialista

    Para Eliana Cunha Lima, ortoptista e gerente de serviços especializados da Fundação Dorina Nowill, a avaliação oftalmológica é fundamental para a prevenção de doenças e a manutenção da saúde ocular.

    Ela alerta para a importância da vacinação de mulheres adultas contra a rubéola, o sarampo e a toxoplasmose. Assim, mães evitam a transmissão de doenças congênitas aos filhos, afastando a ameaça da cegueira na infância.

    Adultos ainda devem fazer acompanhamento regular de doenças metabólicas e pré-existentes, como pressão alta e diabetes, as quais podem causar cegueira.

    Para Eliana, a prevenção da cegueira não é responsabilidade apenas dos médicos, mas também de psicólogos, professores, assistentes sociais, nutricionistas e organizações sociais. Ela esclarece que “a perda visual altera a forma das pessoas se perceberem e de se relacionarem com os outros. Porém, com tratamento precoce, atendimento educacional adequado, programas e serviços especializados, a perda da visão não significa o fim de uma vida independente e produtiva. O atendimento especializado oferece ao deficiente visual tratamento adequado às suas necessidades e condições para um desenvolvimento pleno, de acordo com a sua capacidade, visando a sua inclusão social”.

    Atenção com as crianças

    Diz a especialista que “a integridade do sistema visual é determinante para o desenvolvimento da criança. Através da visão recebemos mais da metade das informações do meio que nos cerca. Ela fornece e organiza informações simultâneas do ambiente e permite a construção de conceitos básicos”.

    Com relação às crianças, alguns cuidados podem prevenir doenças, infecções ou traumatismos oculares. Esses cuidados começam com os pais, antes mesmo da concepção dos filhos. Destacamos o aconselhamento genético em casos de casamentos consanguíneos e a realização de exames de pré-natal, uma vez que doenças como rubéola, sífilis e toxoplasmose podem causar cegueira ou baixa visão.

    Recém-nascidos devem passar por exame oftalmológico sempre que forem observadas alterações oculares, tais como olhos muito grandes, lacrimejar intenso e mancha branca na pupila.

    As crianças devem ser vacinadas periodicamente contra doenças como sarampo, rubéola, meningite e varíola, as quais podem provocar problemas visuais.

    Não só as inflamações dos olhos, mas também as de garganta e dentes precisam ser tratadas sem demora. No convívio diário com as crianças, é fundamental deixar produtos de limpeza, objetos pontiagudos, fogos de artifício e plantas tóxicas fora do alcance delas, bem como usar cinto de segurança e as cadeirinhas recomendadas para o banco traseiro dos veículos.

    Finalmente, é bom lembrar que medicamentos e colírios só devem ser aplicados mediante prescrição médica e que um médico deve ser procurado em caso de acidente com cisco ou fagulha nos olhos. É proibido esfregar os olhos ou extrair um cisco com objetos domésticos.

    Por Lucila Cano

    Fonte - UOL Educação



  • Derrubada liminar que exigia mudanças no edital do Enem - 03-08-2011

    Tribunal Regional Federal suspendeu decisão que garantia acesso a respostas esperadas, provas objetivas e redações digitalizadas

    iG São Paulo

    O desembargador federal Daniel Paes Ribeiro, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, suspendeu uma liminar que mandava o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mudar o edital do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A suspensão agora será julgada pela 6ª Turma do Tribunal, mas não há data prevista para isso ocorrer.

    A decisão liminar da 13ª vara federal do Distrito Federal assegurava aos estudantes o acesso às respostas esperadas do exame, aos cartões de resposta, às provas objetivas e às redações digitalizadas. O Inep deveria dar também um prazo para os candidatos recorrerem.

    Na defesa, o Inep e a União alegaram ilegitimidade da Defensoria Pública da União para ajuizar a ação civil pública que provocou a decisão liminar. Além disso, sustentaram que as mudanças poderiam gerar atrasos no calendário do Enem, prejudicando 1,5 milhão de estudantes que concorrem a uma vaga no ensino superior por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e outros 1 milhão que buscam bolsas pelo Programa Universidade para Todos (Prouni) – ambos exigem a nota do Enem.

    Vista da redação
    Uma outra decisão em primeira instância da Justiça Federal do Maranhão garante aos candidatos o direito de pedir para ver a correção da redação. O juiz José Carlos do Vale Madeira, da 5ª Vara, determina que uma nova cláusula com o direito de vista seja incluída no edital do exame. O Inep informou ao iG que também vai contestar essa decisão, mas a Justiça ainda não recebeu nenhum recurso.

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  • Para especialistas, cultura e esporte ao redor da escola não garantem bom ensino - 03-08-2011

    ‘Badalação e políticos não afetam o resultado positivamente. O que afeta é como funciona, boa direção e apoio da comunidade’, diz consultor da Cesgranrio

    Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro

    Foto: Raphael Gomide

    Escola do Cantagalo teve o pior desempenho no Ideb apesar do ambiente cultural ativo

    Para dois especialistas em educação, Simon Schwatzman e Ruben Klein, o fato de um colégio ser cercado de atividades culturais não tem relação direta com o bom desempenho escolar. O iG mostrou que o Ciep Presidente João Goulart, no Morro do Cantagalo – localizado no prédio do Espaço Criança Esperança, do Affroreggae e visitado frequentemente por presidentes da República, governador e prefeito – teve o pior resultado no Ideb, na rede municipal do Rio.

    “Muita badalação e políticos presentes não afetam o resultado positivamente. Político gosta é de inaugurar coisas. O que afeta (o desempenho dos alunos) é como a escola funciona, a direção e se tem o apoio da comunidade, dos pais”, disse Ruben Klein, especialista em avaliações educacionais e consultor da Fundação Cesgranrio. Ele ressalvou não conhecer a João Goulart e falou em tese sobre o tema.

    “Em geral, o desempenho está associado ao nível sócio-econômico-cultural (dos pais e da comunidade). Essas desigualdades podem ser compensadas, e vemos muitos casos em que isso acontece, mas é esse o grande desafio”, disse Klein.

    O sociólogo Simon Schwatzman, ex-presidente do IBGE, disse que a relação entre ambiente cultural rico e boa educação “não é automática”. “As atividades podem ser interessantes para motivar a criança, mas não se aprende a ler e escrever jogando futebol e sim na sala de aula”, afirmou, lembrando que não conhece a escola especificamente.

    “Pode acontecer de, com muitas atividades complementares, deixar-se de lado o fundamental. Usa-se a escola para coisas que não têm valor direto para a educação. O mais importante é ter bons professores e um trabalho sistemático”, opina Schwatzman.

    A secretária de Educação do município do Rio, Cláudia Costin, “escola com piscina, com aparato perto ou coisas charmosas, não é garantia de aprendizagem”. “Muitos dos nossos colégios com melhor desempenho não têm nada que chame a atenção (na estrutura física). Prédio não educa ninguém. Quem educa são pessoas, depende muito da equipe” afirmou Cláudia Costin.

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  • Liminar proíbe divulgação de material que compara ensino a distância a fast food - 03-08-2011

    Intitulada 'Educação não é fast food - diga não à graduação à distância em Serviço Social', campanha era veiculada em rádios e na internet

    Carolina Stanisci - Estadão.edu

    Uma liminar da Justiça Federal proibiu a veiculação da campanha do Conselho Federal do Serviço Social (CFESS) que compara o ensino a distância de Serviço Social à alimentação fast food. A liminar foi concedida pelo juiz federal Haroldo Nader, da 8ª Vara da subseção judiciária de Campinas, em uma ação cautelar movida pela Associação Nacional dos Tutores de Ensino a Distância (Anated).

    CFESS/Divulgação
    CFESS/Divulgação
    Foto de campanha proibida pela Justiça

    Intitulada "Educação não é fast food - diga não à graduação à distância em Serviço Social", a campanha começou a ser veiculada em maio. Além de um hotsite, com 13 filmes publicados no Youtube, foram divulgados spots em rádios comunitárias, além de material gráfico, como adesivos e cartazes associando o ensino a distância à alimentação fast food.

    Num filme, um atendente recebe uma moça em uma lanchonete para oferecer um "combo" educacional.

    Para o magistrado, o modo como estudantes e professores - tutores, no caso - são tratados no material publicitário é "pejorativo". O descumprimento pode levar a uma multa diária de R$ 1 mil.

    De acordo com o presidente da Anated, Luis Gomes, alunos e tutores de educação à distância em Serviço Social começaram fazer muitas queixas do material, nos últimos meses. "Eles se sentiram discriminados", diz Gomes.

    No site do CFESS estão descritas as motivações da campanha, como na pergunta: "Já imaginou trocar suas refeições por um lanche rápido durante quatro anos? É exatamente isso que ocorre com quem escolhe o ensino de graduação à distância em Serviço Social".

    O conselho não quis se manifestar até ser notificado da liminar. Em uma nota no site, eles reafirmam que vão "prosseguir com a divulgação de seu posicionamento político em defesa da educação pública, laica, presencial e de qualidade".

    CONTRADIÇÃO

    Apesar da campanha contra o ensino a distância de Serviço Social, o CFESS continua cadastrando os estudantes formados nessa modalidade.

    "É essa contradição que a gente não entende. Ainda mais no serviço social, que tenta diminuir a desigualdade social", afirma Gomes, da Anated.

    Além do conselho, a Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social e a Executiva Nacional dos Estudantes de Serviço Social também participaram da realização da campanha.